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Antes de citar, desenvolver e nalguns casos analisar, os vários aspectos da história referente ao desenvolvimento humano e ocupação de territórios na Península Ibérica, deve-se fazer uma explicação sobre termos que aparecem referenciados em vários documentos, inclusive neste, e que se referem a regiões da península ou ao seu todo. Assim, Ibéria é o nome pelo qual a Grécia Antiga identificava, desde tempos remotos, o que hoje chamamos Península Ibérica. O historiador grego Heródoto cita o topónimo Ibéria para designar a península, que é conhecida em todo o mundo grego. Mais tarde os romanos transformaram o nome em Hispânia, referindo-se a toda a Península. A denominação de Iberos, com sendo um povo de uma parte específica da Península acontece quando o historiador grego Herodotus (500 a.C.), aplica a todos os povos entre os rios Ebro e Huelva, que estavam provavelmente ligados linguisticamente e cuja cultura era distinta dos povos do Norte e do Oeste. Assim os Iberos passam a ser os habitantes da região sul da península.
Ibéria também é o nome dado à ilha constituída pelo Espaço ocupado hoje por Portugal, Espanha, Andorra e a região de Gibraltar (RU), antes da sua transformação em península, aquando a sua junção com França, há muitos milhões de anos.
· Pré-História · Mesolítico · Neolítico · Idade do Bronze · Idade do Ferro · Primeiros Povos · Lusitanos
Pré-história
O homem chegou à
Península Ibérica nos primórdios da sua existência havendo vestígios de
há mais 1 milhão de anos. Foram pioneiros o Homo Erectus no início da
última glaciação.
Paleolítico Inferior
(de 2 500 000 - 2 000 000 até 300 - 100 000 anos atrás)
O homem vai descobrindo
meios de dominar a natureza.
Mesolítico De 20 a 10 mil anos, também é vulgarmente conhecido como Idade da Pedra Intermediária. Neste período intermediário, o homem conseguiu dar grandes passos rumo ao desenvolvimento e à sobrevivência de forma mais segura. O domínio do fogo foi o maior exemplo disto. Com o fogo, o ser humano pôde espantar os animais, cozinhar a carne e outros alimentos, iluminar sua habitação além de conseguir calor nos momentos de frio intenso. Estas culturas não surgem em todo o lado ao mesmo tempo nem têm idêntica duração.
Procedeu-se à
introdução da agricultura, em épocas que variam de acordo com a região. Neolítico De de 10 a 6 mil anos, vulgarmente conhecido como Idade da Pedra Polida.
O homem desenvolve
melhores técnicas de domínio sobre a natureza.
Idade dos Metais É o período da Pré-História do homem compreendido entre 5.000 a 4.000 anos antes de Cristo.
A Idade do Bronze é um período da civilização no qual ocorreu o
desenvolvimento desta liga metálica, resultante da mistura de cobre e
também estanho. Iniciou-se no Oriente Médio em torno de 3300 a.C.
substituindo o Calcolítico, embora em outras regiões esta última idade
seja desconhecida e a do bronze tenha substituído directamente o período
neolítico (popularmente conhecida como Idade da Pedra). Na África negra,
o neolítico é seguido da idade do ferro.
A chamada Idade do Bronze Atlântica foi um complexo cultural, compreendido no período entre 1300-700 AC aproximadamente. Este complexo cultural incluía diferentes culturas Ibéricas, das Ilhas Britânicas e do Atlântico Francês. Foi marcada em especial pelas trocas culturais e económicas das culturas aborígenes sobreviventes que acabaram por se render aos Indo-Europeus da Idade do Ferro (maioritariamente Celtas) no final deste período.
Os seus principais
centros aparentam ser Portugal, Andalusia (Tartessos), Galiza e
Grã-Bretanha. Os seus contactos comerciais estendiam-se até a locais
como a Dinamarca e o Mediterrâneo. Idade do Bronze O desenvolvimento da economia durante o Neolítico conduziu ao desigual desenvolvimento das capacidades de produção e acentuou os regionalismos e a variabilidade dos grupos humanos, este facto ao transformar o mundo em mosaico de diferentes tradições, acrescenta-lhe o engenho dos homens que estão abertos a novas mudanças ou são quem as insere.
Quando os animais
começam a ser utilizados para tracção e transporte e não apenas para
serem abatidos para alimento, desencadeia-se a chamada "Revolução dos
Produtos Secundários", de que o leite e a lã são exemplos, ficando então
aberto o caminho para um conjunto de inovações tecnológicas ausentes do
Neolítico Antigo, tais como o arado, a roda, o carro de bois, o uso do
cavalo para montar e, por último, a metalurgia, estas, reflectem-se
deodo fundamental sobre o desenvolvimento agrícola, o comércio à
distância e o contacto entre os diversos povos e as suas culturas.
Na Península Ibérica, a navegação marítima, que provém do leste do Mediterrâneo e das ilhas do Egeu, possibilita a regularidade dos contactos entre o Oriente e o extremo Ocidente da Europa e desta finisterra (fim da terra) a que hoje chamamos Península Ibérica. Esta está finalmente aberta à via dos contactos económicos e culturais que contribuem para a definição da Idade do Cobre ou Calcolítico, sendo que na mesma o uso do cobre generaliza-se há cerca de 4000 anos, época que coincidiu com as construções megalíticas e da Cultura do Vaso Campaniforme, o qual é o símbolo por excelência destas culturas calcolíticas Ibéricas e se caractriza por uma decoração por áreas do mesmo. No sudoeste ibérico afloram os chapéus-de-ferro, ricos em cobre, ouro e prata, facilmente exploráveis por uma tecnologia metalúrgica primitiva.
Privilegiam-se os rios
como vias de comunicação e há um largo recurso à irrigação artificial,
introduzida com a metalurgia que permite aumentar a produtividade de
territórios restritos com solos pobres, isso tem como consequência, que
as comunidades se restrinjam a um espaço, aumentando assim a identidade
de cada grupo, bem como a sua a sua rivalidade e, com ela, a necessidade
de defesa.
Idade do Ferro
A Idade do Ferro se
refere ao período em que ocorreu a metalurgia do ferro. Este metal é
superior ao bronze em relação à dureza e abundância de jazidas A Idade
do Ferro vem caracterizada pela utilização do ferro como metal,
utilização importada do Oriente através da emigração de tribos
indo-europeias (celtas), que a partir de 1.200 a.C. começaram a chegar a
Europa Ocidental, e o seu período alcança até a época romana e na
Escandinávia até a época dos vikings (em torno do ano 1.000 d.C).
Em Portugal, então
parte da Hispânia, a Idade do Ferro é essencialmente dominada pela
ocupação do território pelo Império Romano
Primeiros Povos
A região da Península Ibérica foi verificou ao longo de milénio várias movimentações de povos e populações em várias épocas da considerada Pré-história. Vamos somente registar as principais, realizando uma descrição sucinta da ocupação peninsular.
Os primeiros grandes povos Ibéricos, referenciados antes do período da Idade do Ferro, têm uma proveniência desconhecida, sendo uma hipótese o Norte da Europa (devido a artefactos encontrados similares a povos dessa região) e outra uma proveniência do Norte de África. De qualquer forma os primeiros povos referenciados na Península como Iberos, foram os povos situados no Sul da Península Ibérica que se tornaram conhecidos por manter contactos comerciais na costa mediterrânica com povos comerciantes como os Fenícios e Gregos. Os outros aglomerados de povos ibéricos viviam no norte e centro da Ibéria. Seriam da mesma estirpe dos vizinhos do sul da Ibéria e de algumas regiões europeias, como referenciado posteriormente pelos Celtas.
Segundo os autores clássicos, na região ocidental da Andaluzia residiam os Túrdulos e os Turdetanos. Ao que parece, no séc I a.C., já se encontravam de tal modo miscigenados que seria difícil distingui-los. Aparentemente, estes dois povos seriam os descendentes dos habitantes do já extinto reino de Tartessos. Considerados por Estrabão como "os povos mais cultos da Ibéria", estes dois povos tinham um estilo de vida essencialmente mediterrânico. Por volta do séc. X a.C., como parte da 1ª Vaga Indo-Europeia, devido quer ao esgotamento dos recursos, quer a alterações climáticas, chega à Ibéria um conjunto de tribos (que se definirão em Cinetes, Sempsos, Sepes, Turdulos, Estrímnios e Draganes). Supostamente eram um povo de gente baixa, com pele morena, que vivia em cabanas de madeira, e que foi aparentemente responsável pela introdução das práticas agrícolas e do fabrico do ferro na Ibéria. Este povo mesclou-se com os povos existentes, sobretudo no norte da península. O poema "Orla marítima" composto por Rufio Avieno (no séc. IV d.C.), relata a aventura de um navegador grego de Massália (Marselha) nos finais do séc. VI a.C.. Neste poema, é relatada a existência de etnias iberas da fachada atlântica - os Estrímnios e os Cinetes, herdeiros da cultura megalítica e aparentemente responsáveis pelo comércio com o atlântico norte. O reino de Tartessos seria uma facção da etnia Cinética. Por outro lado, o poema relata a existência de povos de origem continental (da invasão indo-europeia de 650-600 a.C.) - os Sepes e os Sempsos, que teriam ocupado o território dos Estrímnios e dos Cinetes. Entretanto o sul da península é assolado por investidas dos Fenícios que fundam alguns portos comerciais e estimulam o crescimento científico e económico, desenvolvendo a metalurgia do ferro,a roda de oleiro, o melhoramento da exploração dos recursos marinhos (incluindo a utilização do murex na tinturaria, e a preparação de peixe salgado e condimentos para exportação), o vinho e o azeite. No plano social, introduziram a escrita, o conceito de cidade e novos rituais religiosos. A influência fenícia começa a reduzir-se no início do séc. VI a.C.
Os Gregos
visitaram também a Ibéria em VII a. C. sobretudo por trocas comerciais.
Não influenciaram os habitantes na mesma medida que os Fenícios o
fizeram. Por volta dos sec. V e IV, dá-se início a 2ª Vaga Indo-Europeia, a chegada dos Celtas. Esta migração alterou substancialmente a organização dos povos no Norte e Centro, sendo praticamente inalterada no Sul, a Este do Guadiana. O primeiro resultado destas movimentações consistiu no aparente desaparecimento das etnias anteriormente existentes no território peninsular. Quanto muito poder-se-á admitir que os Lusis (ou Lysis) referidos no poema de Rufio Avieno fossem os Lusitanos, e que os Cinetes (identificáveis com os Conii) tivessem apenas deixado rasto em várias inscrições antes de serem completamente absorvidos pelo grupo céltico. Há portanto, ao que parece, uma nova geografia étnica no extremo ocidental da Península. Os autores clássicos são unânimes em afirmar que a região compreendida entre o Tejo e o Guadiana era habitada pelos Celtas. A área mais fortemente influenciada pelos Celtas no actual território português foi o Alentejo e Algarve, tendo havido migrações posteriores para a região norte da península (Galiza e Norte de Portugal) . Na sua "Historia Natural", Plínio afirma que estes Celtas migrados a posteriori descendiam dos Celtiberos e tinham vindo da Lusitânia. Os Lusitanos e os Celtiberos são as duas grandes nações hispânicas de origem continental. No entanto, aparentemente nunca se fundiram, e parecem corresponder até a duas diferentes vagas da migração indo-europeia (aos Lusitanos corresponde a mais antiga, aos Celtiberos, a mais recente). Na zona média ocidental da meseta hispânica (desde Ávila até à raia portuguesa), habitavam os Vetões. Havia grandes afinidades entre os Vetões e os Lusitanos (ambos povos indo-europeus), enquanto os Túrdulos eram essencialmente povos mediterrânicos. Os Celtiberos ocupavam a parte central da península, os Galaicos ocupavam desde zonas acima do Douro até à costa Norte e a Este faziam fronteira com os Astures. Outros povos como os Vascones, Carpetanos e Cantrabos ocupavam outras regiões da Península. São estes os povos que se compõem a península por volta da chegada dos Cartaginenses em III a. C.
No século III a.C., os Cartagineses iniciam na Península Ibérica um projecto imperialista mediterrâneo no qual fundam Qart Hadasht (Cartagena) que se converte rapidamente numa importante base naval. Foi durante o governo de Amílcar Barca, quando Cartagena se tornou a capital da Hispânia Púnica (238-229), que foram submetidas pelos cartagineses algumas tribos de lusitanos. Há vestígios da sua influência em Ossnoba (Faro) e, no tempo de Aníbal, teriam fundado Portus Hannibalis, que devia localizar-se em Portimão ou Alvor. Cartago e Roma enfrentaram-se finalmente numa série de guerras (Guerras Púnicas) pela hegemonia no Mediterrâneo Ocidental. Depois da derrota na Primeira Guerra Púnica, Cartago tenta ressarcir-se das suas perdas da Sicília, Sardenha e Córsega, incrementando seu domínio na Ibéria.
Amílcar Barca, Aníbal e
outros generais cartagineses situam-se nas antigas colónias fenícias da
Andaluzia e o Levante baixo seu controle e procedem depois a conquista
ou No ano 219 a.C. produz-se a ofensiva de Aníbal contra Roma, tomando a Península Ibérica como base de operações e incluindo uma grande percentagem de hispanos em seu exército. Em consequência da 2ª Guerra Púnica e após varias batalhas, em 206 a. C. Cipião expulsa os Cartaginenses do sul da Hispânia.
Lusitanos
Este povo ocupava numa
primeira fase a região entre Douro e Tejo excluindo a zona costeira
Atlântica (zona litoral desta região era ocupada por Túrdulos
e Celtas,
nesta época). Os Lusitanos, conseguiram no entanto, romper o cerco que
lhes era imposto pelas cidades costeiras e pelas tribos vizinhas, vindo
a dominar toda a região marítima que vai do rio Tejo ao mar da
Cantábria, tornando-se, segundo Estrabão, "na mais forte das nações
ibéricas".
A vitória dos Lusitanos representa o triunfo da civilização agrária sobre a civilização mais mediterranizada dos Túrdulos. A zona costeira recém conquistada, mais do que um local de contacto com as potências mediterrânicas (cidades como Olísipo ou Caetóbriga nunca perderam a sua importância como centros de comércio), assegurava a segurança do seu domínio interior.
Através dos textos de Estrabão, sabemos que a Lusitânia era rica em ouro, chumbo, estanho, e que os habitantes praticavam uma vida agro-pastoril, que alternavam com os períodos de guerra com os vizinhos. Tito Lívio afirma que os Lusitanos fizeram parte do exército mercenário de Aníbal que invadiu a Itália. Os guerreiros Lusitanos usavam um pequeno escudo redondo suspenso ao pescoço, couraças de linho, capacetes de couro, uma adaga ou punhal curto, e uma lança comprida com ponta de bronze. Os Lusitanos, informa ainda Estrabão, eram sóbrios e frugais, bebendo só água, cerveja de cevada e leite de cabra. Usavam manteiga em vez de azeite, e alimentavam-se de pão, da carne dos seus rebanhos, e do que pescavam. Dormiam deitados no chão, usavam cabelos compridos como as mulheres, untavam-se com azeite e celebravam vários jogos de destreza física. Os homens vestiam-se com lã preta ou com peles de cabra. Sabemos também que os criminosos condenados à morte eram despenhados de precipícios.
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